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As exportações dos “mechs magicamente modificados” da China estão prestes a se tornar um “oceano azul de trilhões de yuans”
Horário de lançamento:
2026-04-15 10:58
Segundo reportagem da Reference News de 7 de agosto (de autoria de Su Xiaozhou), a maquinaria de construção remanufaturada refere-se a produtos obtidos mediante a “modernização milagrosa” de equipamentos de construção obsoletos, utilizando tecnologias avançadas e práticas. Nos últimos anos, essas “máquinas pesadas” de elevado custo‑benefício têm se destacado como uma opção com excelente relação qualidade‑preço, sendo especialmente adequadas ao Sul Global — onde a demanda é alta, mas o poder aquisitivo é relativamente baixo —, tendo assim conquistado ampla aceitação em numerosos países da Ásia, da América do Sul e da África. À medida que os pedidos no exterior continuam a crescer, empresas de remanufatura de máquinas de construção têm se multiplicado por toda a China, com regiões como a província de Hunan chegando a desenvolver clusters industriais e parques que reúnem mais de cem empresas.
Especialistas do setor acreditam que a ampliação das exportações de máquinas de construção remanufaturadas pode tanto impulsionar o desenvolvimento econômico e social quanto elevar os padrões de vida nos países e regiões relevantes, ao mesmo tempo em que ajuda a China a avançar na sua transformação industrial e a alcançar suas metas de “carbono duplo”. No futuro, reforçando as normas e os marcos regulatórios e aprimorando as capacidades de prestação de serviços no exterior, o comércio de exportação de máquinas de construção remanufaturadas deverá se transformar em um mercado de “oceano azul” avaliado em centenas de bilhões de yuans.
Transformando resíduos em tesouros na indústria de máquinas de construção
Em meados de junho deste ano, a Exposição de Remanufatura de Máquinas de Construção da Quarta Expo Econômica e Comercial China–África (doravante denominada “Exposição de Remanufatura”) foi realizada no Parque Internacional de Maquinaria da China Central, em Xiangtan, província de Hunan. No recinto expositivo, com cerca de 40 mil metros quadrados, os repórteres constataram uma mostra concentrada de máquinas e equipamentos de construção fabricados por empresas como o Grupo de Ciência e Indústria Ferroviária da China, o Grupo Sany e o Grupo XCMG. Em destaque nos exposições, destacavam-se etiquetas indicando que todos os itens haviam sido produzidos por meio da remanufatura de equipamentos usados recuperados.
Para demonstrar o desempenho de máquinas de construção remanufaturadas, a equipe da XCMG operou no local uma escavadeira remanufaturada, utilizando os dentes da caçamba para “agarrar” uma escova e escrever letras, bem como para “segurar” uma ferramenta e abrir a tampa de uma garrafa de cerveja, conquistando aplausos entusiasmados e elogios dos centenas de convidados chineses e estrangeiros presentes.
Segundo diversos representantes de empresas expositoras responsáveis pelo marketing internacional, ao contrário das reformas ou recondicionamentos tradicionais, a remanufatura de equipamentos de construção na China recorre a processos, tecnologias, equipamentos e materiais avançados e adequados para desmontar, inspecionar, reparar, substituir componentes, atualizar e realizar novos testes em máquinas de construção usadas recuperadas, antes que estas sejam liberadas da linha de produção. Durante o processo de remanufatura, são empregadas técnicas como ensaios não destrutivos por laser, soldagem a plasma, impressão 3D e o uso de novos materiais.
Após passarem por “modificações radicais”, essas máquinas de construção não apenas ostentam uma aparência totalmente nova, como também oferecem desempenho e qualidade que rivalizam com os de equipamentos novos, atendendo assim às exigências de uma ampla gama de cenários de aplicação. Zhang Shejun, vice-diretor do Instituto de Pesquisa e Projeto de Máquinas de Escavação em Túneis da China Railway Construction Heavy Industry, explicou que a empresa pegou a máquina de escavação em túnel com escudo de lama “Yuan’an”, utilizada há alguns anos no projeto do Túnel de Yuanjiang, na cidade de Changde, província de Hunan, e a remanufaturou, transformando-a numa máquina de escudo de equilíbrio de pressão de terra batizada de “Jinxiu”, que foi então reimplantada para a escavação do Túnel de Jinxiu, em Chengdu. Nesse processo, o diâmetro da cabeça de corte foi aumentado de 11,75 metros para 12,79 metros, o modo de operação foi alterado de lama para equilíbrio de pressão de terra, e a taxa geral de aproveitamento dos componentes existentes superou 80%.
Especialistas do setor explicam que as máquinas de construção remanufaturadas costumam ser vendidas por 50% a 70% — ou até menos — do preço de uma unidade totalmente nova do mesmo modelo, prolongando assim a vida útil dos equipamentos, reduzindo o consumo de recursos e diminuindo significativamente as emissões de carbono e a poluição ambiental. Por exemplo, uma empresa sediada em Hubei remanufatura tratores de esteira pesados que são comercializados por 3,5 milhões de yuans (sem impostos), cerca de 10 milhões de yuans mais baratos do que as unidades novas do mesmo modelo fabricadas pelo produtor original. Outra firma de Hunan oferece caminhões‑bomba de concreto com lança longa remanufaturados por apenas 40% do preço dos modelos novos da marca original, ao mesmo tempo em que alcança uma economia de 60% no consumo de energia e uma redução de 80% nas emissões de carbono em comparação com a produção de máquinas novas. Além disso, uma empresa de Hengyang, na província de Hunan, modernizou escavadeiras sobre rodas movidas a diesel já envelhecidas, incorporando tecnologias inovadoras como baterias de alta performance e motores de ímã permanente, resultando em “zero emissões” nos gases de escape e reduzindo os custos operacionais em aproximadamente 60% em relação às máquinas movidas a diesel.
A Expo de Remanufatura atraiu expositores de 39 países e de organizações internacionais. Um visitante da Costa do Marfim, após sentar-se na cabine para uma experiência prática, ergueu o polegar em sinal de aprovação e comentou: “Equipamentos como este são perfeitamente adequados à África!” Ao mesmo tempo, um convidado do Quênia observou: “No passado, muitos projetos na África eram difíceis de viabilizar, pois era simplesmente inviável adquirir máquinas de construção de grande porte totalmente novas. No entanto, o surgimento da tecnologia chinesa de remanufatura tornou esses equipamentos financeiramente acessíveis aos desenvolvedores de projetos, dando-nos maior confiança para acelerar o desenvolvimento da infraestrutura pública e das operações de mineração em toda a África.”
Segundo os organizadores da Expo de Remanufatura, delegados estrangeiros provenientes da Argélia, da República Democrática do Congo, da República Centro-Africana, das Comores, do Gabão e de outros países também participaram de uma série de visitas técnicas e de sessões de matchmaking empresarial com empresas integrantes do polo industrial de remanufatura no Parque Internacional Central de Maquinaria de Xiangtan, resultando em encomendas e acordos de cooperação que totalizam mais de 100 milhões de yuans.
Um representante de Serra Leoa afirmou, com franqueza, que as avançadas tecnologias chinesas de remanufatura abrirão novas oportunidades de desenvolvimento para os países africanos, manifestando a esperança de que a China e a África reforcem a coordenação de políticas, compartilhem recursos industriais e inovem nos modelos de cooperação, estabelecendo assim a remanufatura de máquinas de construção como um novo destaque, um novo pilar e um novo modelo de cooperação sino‑africana.
A ampliação da escala do setor continua a ser um desafio fundamental.
Segundo relatos, empresas da Zona de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico de Changsha, do Parque Internacional de Maquinaria Central de Xiangtan e de outras regiões têm aproveitado a transmissão ao vivo pela internet, feiras comerciais e diversos outros canais de marketing para atrair gradualmente revendedores estrangeiros que antes percorriam o mercado chinês de equipamentos usados. Como resultado, máquinas de construção remanufaturadas — apresentadas como a “opção mais econômica” — passaram a ser comercializadas no exterior. Empresas líderes desse setor, como o Grupo Sany, chegaram a criar divisões específicas de “equipamentos usados oficiais”, alcançando excelentes resultados comerciais nos mercados internacionais.
De acordo com entrevistas com especialistas do setor, tanto da China quanto de outros países, no segmento de máquinas de construção, o Sudeste Asiático, o Oriente Médio, a América do Sul e a África são os principais mercados de exportação dos equipamentos de construção remanufaturados chineses. De janeiro a maio deste ano, as exportações chinesas de máquinas de construção para a África registraram um crescimento de 58%, sendo que uma parcela expressiva corresponde a unidades remanufaturadas.
Um executivo de marketing de uma empresa revelou que seus caminhões‑bomba para cimento remanufaturados, caminhões betoneiras e outros equipamentos já geraram mais de 50 milhões de yuans em vendas nos últimos dois anos em países africanos como Nigéria, Argélia e África do Sul. Além disso, escavadeiras, guindastes sobre rodas, guindastes sobre esteiras e perfuratrizes rotativas também estão com perspectivas de robustas vendas em mercados como México, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Índia e Malásia, enquanto os mercados externos de máquinas portuárias e equipamentos para construção de estradas vêm se expandindo de forma contínua.
Durante entrevistas com especialistas do setor, o repórter também constatou que a exportação de máquinas de construção remanufaturadas pela China encontra-se atualmente em fase inicial — marcada por uma produção orientada pelas vendas e por pedidos pequenos e esporádicos —, e que alcançar a produção em larga escala e em lotes, de modo a efetivamente “escalar” o setor, ainda constitui um desafio não resolvido.
A falta de padrões. Atualmente, apenas um pequeno número de empresas ou parques industriais estabeleceu, de forma preliminar, normas de classificação da qualidade para produtos de maquinaria de construção remanufaturados. No conjunto do setor, carece‑se de um sistema unificado de normas de remanufatura, o que resulta em transações comerciais e na precificação de equipamentos desordenadas, baixa transparência nas operações e frequentes dificuldades no comércio exterior — situação muitas vezes descrita como “ter medo tanto do lobo quanto do espantalho de palha”.
Defasagens no serviço. Com exceção das empresas líderes, a maioria das empresas chinesas carece de sistemas robustos de pós‑venda no exterior, o que dificulta o envio tempestivo de técnicos qualificados e o fornecimento de peças de reposição em caso de falhas nos equipamentos. Além disso, a maior parte dos equipamentos remanufaturados não inclui cobertura de garantia pós‑venda e, mesmo quando essa cobertura está disponível, sua aplicação costuma ser bastante complexa.
Falta de autorização. Alguns fabricantes de equipamentos remanufaturados de marca original estão registrados junto à alfândega e exigem autorização para a exportação; no entanto, o processo de obtenção dessa autorização carece de orientações claras, tornando‑o difícil, demorado, trabalhoso e oneroso.
Falta de mecanismos institucionais. Atualmente, ainda não foi estabelecido um marco político e regulatório abrangente para a exportação de máquinas de construção remanufaturadas, o que resulta em procedimentos operacionais burocráticos e em interpretações ambíguas das leis e políticas pertinentes em áreas como o encerramento de contas fora da jurisdição, a emissão de notas fiscais, a declaração e o desembaraço aduaneiros, as alíquotas de impostos aplicáveis e as políticas de crédito.
Segundo relatos, como as máquinas de construção remanufaturadas destinadas à exportação são, em geral, equipamentos de grande porte, sua produção e comercialização exigem intensa utilização de capital, tecnologia e mão de obra; assim, qualquer interrupção em qualquer etapa do processo de exportação pode facilmente comprometer toda a transação.
Especialistas do setor observam que, atualmente, para assegurar muitas encomendas de exportação é necessário que a parte estrangeira ofereça preços suficientemente elevados e garanta margens de lucro amplas. Tanto empresas chinesas quanto estrangeiras precisam, simultaneamente, identificar a demanda no exterior e aproveitar sua expertise para selecionar produtos na China, adotando modalidades de comércio em que o pagamento é efetuado no momento do recebimento da mercadoria — arranjos de pagamento integral e entrega à vista. Em contrapartida, modalidades comerciais como pagamentos parcelados, entrega CIF e leasing ainda não ganharam expressividade. Essa situação prejudica o desenvolvimento da reputação positiva, da confiança e da satisfação dos clientes internacionais em relação ao setor de remanufatura da China.
Criando um vento favorável, com perspectivas promissoras.
Segundo fontes do setor, o Sul Global — em especial os países e regiões que participam da Iniciativa Cinturão e Rota — constitui um mercado-chave para as exportações chinesas de bens utilizados em projetos de contratação de engenharia no exterior, tornando a maquinaria de construção remanufaturada altamente competitiva. Atualmente, a China conta com quase 10 milhões de unidades de maquinaria de construção, e o setor está passando de um modelo de crescimento impulsionado pelo mercado incremental para um modelo centrado no estoque existente. Se múltiplos atores envolvidos trabalharem em conjunto para aproveitar esse estoque por meio de iniciativas como “modernizar equipamentos antigos” e “transformar resíduos em recursos”, a remanufatura de maquinaria de construção — e sua subsequente expansão para os mercados internacionais — apresenta um potencial significativo.
Construção de um ecossistema industrial padronizado. As normas constituem a pedra angular de qualquer setor; por isso, é essencial assegurar o apoio nacional, ao mesmo tempo em que se fomenta uma estreita colaboração entre governos locais, associações setoriais, empresas líderes e órgãos especializados de inspeção. Esse esforço conjunto deve avançar ainda mais na padronização dos processos de controle de qualidade da remanufatura e da classificação do desempenho dos produtos, estabelecer sistemas robustos de avaliação e certificação de equipamentos usados e implementar mecanismos de rastreabilidade de ponta a ponta. Além disso, devem ser envidados esforços para promover o reconhecimento mútuo internacional das normas pertinentes. Ao aproveitar o arcabouço normativo, é possível reforçar a supervisão regulatória sobre o setor e sobre as próprias empresas. A criação de laboratórios de testes de alto nível nos parques industriais e a implantação de serviços “one‑stop” elevarão a tecnologia de remanufatura e a qualidade dos produtos, contribuindo não apenas para regular a ordem do mercado, mas também para cultivar um ecossistema industrial padronizado.
Aprimorar as capacidades de prestação de serviços no exterior. Sendo o serviço a base do comércio, é essencial defender a introdução de políticas nacionais favoráveis, como isenções fiscais e subsídios orçamentários. Ao mesmo tempo, os governos locais devem oferecer apoio e assistência às empresas líderes nos principais países e regiões ao longo da Iniciativa Cinturão e Rota, incluindo a África, para que estabeleçam centros abrangentes de pós‑venda, dotados de plataformas inteligentes de operação e manutenção passíveis de serem compartilhadas por pequenas e médias empresas, bem como de armazéns de peças de reposição e centros de atendimento no exterior. Tais medidas contribuirão de forma eficaz para melhorar a capacidade de entrega de máquinas de construção remanufaturadas, aperfeiçoar a orientação aos clientes quanto à aplicação dos produtos e reforçar os serviços de garantia e reparação pós‑venda.
Ultrapassar as restrições à autorização de marcas. Todos os agentes envolvidos na indústria de remanufatura precisam realizar estudos aprofundados sobre as legislações e regulamentos nacionais e internacionais: por um lado, aproveitar princípios internacionalmente reconhecidos, como o “exaurimento dos direitos”, para contornar as limitações impostas pelos requisitos de registro de marcas; por outro, fomentar a colaboração entre as empresas de remanufatura e os detentores das marcas originais, a fim de obter a qualificação e a autorização necessárias. Além disso, é fundamental estabelecer um mecanismo científico de avaliação de riscos jurídicos e de alerta precoce, que assegure a proteção dos direitos e interesses legítimos tanto das empresas de remanufatura quanto dos usuários finais, em conformidade com as normas nacionais e internacionais.
Mecanismos inovadores para apoiar a internacionalização. Com base em iniciativas-piloto realizadas inicialmente em Hunan, Zhejiang e outras regiões, estão sendo implementadas novas inovações institucionais: foram introduzidos procedimentos simplificados para o encerramento de contas, visando facilitar as operações empresariais; além disso, são oferecidos serviços financeiros personalizados para respaldar arranjos comerciais flexíveis de produtos remanufaturados em África e em outros mercados, incluindo entrega no destino, pagamentos parcelados, comércio por permuta e modelos de arrendamento com opção de compra.